15-12-1999. Análise da semana de 8 a 14 de Dezembro de 1999 do Serviço Analítico-informativo da REDE BASCA VERMELHA
AVANÇA A CLARIFICAÇOM: ESPANHA CLAMA CONTRA O "SEPARATISMO" BASCO. EH apresenta a sua proposta para a autodeterminaçom, o PNB afirma o seu independentismo e rompe com o PP. A maioria abertzale (PNB, EH, EA) rejeita as emendas à totalidade dos orçamentos da CAB. Na ONU acusam e condenam: Espanha TORTURA e França É A SUA CÚMPLICE. Continua a luita polos direitos dos prisioneiros bascos e a Feira de Durango evidencia a força do euskara e do livro e do disco bascos. E A RESACA DE SEATTLE REAFIRMA A CRISE SISTÉMICA DO CAPITALISMO E A NOVA VAGA DE LUITAS CONTRA ELE.
Semana forte. Semana sobretudo clarificadora. Espanha, entre atordoada, espantada e alarmada, clama contra o "separatismo" basco. Sirva como botom de mostra este fragmento do artigo de Gabriel Albiac, intitulado "Recomeçar a História", publicado no EL MUNDO da segunda-feira 13:
"ETA jogou, com virtuosismo veritginoso, a sua partida. É o que mais espanhta. De que cabeça saiu esse xadrez cintilante que aponta o xeque mate em contados movimentos? Xadrez (ou política, ou guerra: é o mesmo) de alta escola. Catorze meses assistimos ao que víamos como trivial troca de armas por prisioneiros. Subitamente (e ainda nom adivinho como), acordamos perante um processo constituinte, acordado por forças eleitorais suficientes para consumá-lo. Se duas delas (PNB e EA) formulam reticências para os pormenores irrealistas (a inclusom das províncias francesas), nom é senom para permiir à outra (ETA) a concesom (limitar-se ao país basco espanhol) que encene o moderado das suas mitologias nacoaanis.É o derradeiro rito de passagem, antes da Naçom constituída". No domingo 12 o EL MUNDO, num editorial intitulado "O DESAFIO NACIONALISTA" lembrava que "O Governo de Aznar julga que a aliança PNB-HB representa o maior desafio para a democracia desde o 23F".
Repassemos rapidadmente os fitos da semana. As declaraçons de Aznar na segunda-feira 6 durante os fastos do aniversário da aprovaçom da constituiçom espanhola (ressenhada na anterior Análise) prendêrom a mecha. E na quarta-feira 8 o PNB dá por roto o seu pacto com o PP e anuncia que votará contra o Orçamento de Aznar. No dia seguinte um editorial de DEIA ("Ruptura coerente") afirma que o PNB "dá por rota toda relaçom política (é Aznar quem a rompe) com o PP". O secretário geral de EA, Gorka Knörr, dixo no mesmo 9 que a ruptura do PNB com o PP "era previsível" e que "o que era realmente inconcebível era que mantivesse um pacto com um Governo e um partido que, igual que fai com EA, o insultava a diário". E essa mesma quinta-feira Arzalluz ,em conferência de imprensa solene, oficializa a ruptura. Referindo-se às palavras de Aznar da segunda-feira 6 afirmou que "o qu dixo é o mais forte e brutal que tenho ouvido na minha vida". E que " a atitude de Aznar nom deixou nengum lugar para falar". Acrescentando que o que quer Aznar é "incidir num clima de guerra no norte para tirar votos no sul". Na sexta 10 DEIA publica um artigo de um deputado do PNB intitulado "Aznar toma o mando da extrema direita".
No sábado 11 celebra-se no cinema Príncipe de Viana da capital histórica de Euskal Herria (Iruñea/Pamplona) umha assembleia de EUSKAL HERRITARROK em que participam meio milhar dos seus representantes. Nela deu-se a conhecer o documento intitulado "Bases e formas de desenvolvimento para conformar a democracia basca. Proposta" (O texto integral será em breve publicado na we da REDE BASCA VERMELHA). Nela EH propom a celebraçom de eleiçons nos seis herrialdes bascos (Araba, Bizkaia, Gipuxkoa, Lapurdi, Nafarroa e Zuberoa) para criar umha Assembleia Nacional Constituinte basca que garanta a participaçom de toda Euskal Herria e de todos os seus cidadaos e que elabore a oferta de quadro jurídico-político que se proporá à sociedade basca para o seu refrendo polos cidadaos. Na apresentaçom da proposta o porta-voz de EH Otegi afirmou que "pretende definir um modelo de resoluçom do processo democrático basco. É umha proposta de encerramento de um ciclo histórico, de recuperaçom definitiva da palabra por Euskal Herria e de nascimento de um novo modelo democrático e nacional para o conjunto deste país".
Na imprensa do domingo 12 pode ler-se que o mesmo sábado 11 PNB e EA formulárom críticas à proposta mas o fundamental é que afirmárom que contém ASPECTOS BÁSICOS POSITIVOS e que deem tratar-se. Também no sábado em Helsinki (onde se achava para a cimeira europeia) Aznar julgou que a proposta de EH é "um grandíssimo disparate" e dixo que o que mais o preocupa é que "dirigentes de outras forças políticas fagam ssuas estas formulaçons de HB e ETA"
Na terça-feira 14 pudo ler-se na página 26 de DEIA este cabeçalho: "Arzalluz di que ele e todos os filiados do PNB votariam em prol da independência". Essas declaraçons vinham recolhidas mais extensamente no mesmo dia 14 no EL PAIS sob o cabeçalhoENTREVISTA COM XABIER ARZALLUZ NA SER. No início do artigo de EL PAÍS dizia que "O presidente do PNB, Xabier Arzalluz, afirmou ontem, durante umha conversa com Iñaki Gabilondo na Cadena SER, que chegado o caso, ele proponria a independência do País Basco embora para isso apenas contasse com 51% da populaçom e 49% restante se pronunciasse em contra. O dirigente basco precisou que esse nom é um tema que o seu partido formule a "curto prazo". Os espanhóis nom se tranquilizárom nadinha com esse último matiz. O que os pujo dos nervos é a "descoberta" (¿?) de que o PNB é um partido nacionalista basco que, como tal, é independentista. E a redescoberta de que Eusko Alkartasuna o é estatutariamente desde o seu primeiro Congresso. E o arrepio de que reparar em que a soma dos três (PNB, EH, EZ) supom a maioria absoluta folgada independentista na Comunidade Autónoma Basca.
Na terça-feira 14 produzírom-se dous factos significativos.
Um: no Parlamento de Gasteiz, EH cumpriu o acordo assinado com o PNB e EA e rejeitou todas as emendas à totalidade apresentadas pola oposiçom aos Orçamentos da Comunidade Autónoma Basca para o ano 2000.
Dous: em Madrid, no Senado, o PNB votou em contra dos Orçamentos espanhóis apresentados polo Governo do PP. Ainda mais, os cinco senadores do PNB opugérom-se ao orçamento da Casa Real, as Cortes Gerais, o Tribunal Constitucional e o Conselho Geral do Poder Judiciário. O Partido Nacionalista Basco pediu no Senado votaçom separada das ditas partidas apesar de que tem sido costume no período juancarlista desde 1977 que inlusive os grupos que se oponhem aos Orçamentos Gerais do Estado apoiem este tipo de apartados. Por exemplo, o PSOE e Izquierda Unida votárom a favor das contas destas instiuiçons do Estado, embora rejeitem o resto das contas para o próximo ano.
Repara-se na clarificaçom produzida nesta semana?
Neste dia 15 que redijo esta análise GARA publicou umha informaçom de excepcional interesse que clarifica por sua vez um facto que bastaria por si próprio (deixando já de parte as outras inumeráveis razons históricas, culturais e emocionais) para explicar por que é lógico que as bascas e os bascos queiram independizar-se do jugo da Espanha e do jugo de França. Esse facto é terrível mas evidente: ESPANHA TORTURA AS BASCAS E OS BASCOS COM A CUMPLICIDADE DE FRANÇA.
Nom é um facto novo. Os internautas que visitam a web da REDE BASCA VERMELHA acham nela umha secçom inteira (A "GUERRA SUJA" QUE ESPANHA FAI A EUSKAL HERRIA) com numerosos e estarecedores relatos de torturas. Convido mais umha vez para serem visitadas.
O novo é que agora o di a ONU. Com efeito, hoje 15 de Dezembro GARA intitula a sua página 12 como se segue: "O Comité contra a Tortura da ONU condena Paris pola entrega de Arkauz. Di que foi expulso ao Estado espanhol apesar da suspeita de que poda ser torturado"
O documento do Comité nom tem desperdício. Reproduzo a seguir o parágrafo chave da ressenha de GARA "Lembra (o Comité) que se tinha e tem constáncia de que distintos organismos nom governamentais de protecçom dos direitos humanos tenhem verificado a existência de tortruas e maus tratos aos detidos nas esquadras de política espanholas e, nomeadamente, a militantes independentistas bascos. Salienta, aliás, que Arkauz foi posto em maos da Guarda Civil por meio de um procedimento ilegal, sem que pudesse avisar a sua família nem o seu advogado. Indica que, nestas circunstáncias, se encontrou numha situaçom de especial vulnerabilidade face a possíveis abussos"
Vinco com imenso desprezo e nojo que precisamente no mesmo dia em que GARA publica este informe de TORTURAS PERPETRADAS NA ESPANHA EM JANEIRO DE 1997, alguns miseráveis jornalistas espanhóis fam brincadeiras sobre as torturas a Lasa e Zabala (o juízo sobre o seu seqüestro, torturas e assassinato começou na segunda 13) sugerindo que som um caso excepcional acontecido há muitos anos.
Esta análise ultrapassou já em muito o seu tamanho marcado de mil palavras. Lembro por isso já aquí ssó como temas que se desenvolvem na análise ALARGADA os seguintes:
Um aviso final: somos já mutos os bascos (e os espanhóis) que temos a aguda percepçom de que estamos a viver momentos históricos. Momentos em que oscilam os pratos da balança que num lado tenhem a liberdade dos bascos e no outro a opressom da Espanha e França. É obvio que há que mover essa balança. Que cumpre mexer o bote. E fazer ondas.
Justo de la Cueva
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